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cosmelanio




Autor 📝 Adolfo Caminha
Editora 📚 Martin Claret


Para muitos estudiosos Aleixo e Amaro formam o primeiro casal homossexual não só do Brasil, mas de toda a literatura ocidental. Uma de minhas primeiras leituras no Ensino Médio e, talvez, a que mais me espantou dentre os romances homoafetivos que já li.

O romance mostra a história de Amaro, um marinheiro que já teve um envolvimento com mulheres, mas que começa a ter uma certa paixonite por Aleixo, um grumete que está sempre por perto quando o marinheiro entrega-se à bebida e à solidão.

Os dois, então, engatam um romance e se instalam na pensão e Dona Carolina, no Rio de Janeiro. Lá, Aleixo cedia a todos os caprichos de Amaro, desde a manter relações sexuais a exibir-se despido pelo quarto, como o amante gostava.

Dona Carolina sabia da não disposição de Amaro para mulheres, por isso facilitava muito os encontros dos dois. Acontece que ela estava, aos poucos, maquinando um plano que levaria a uma grande reviravolta no romance dos deles.

Amaro é transferido a outro navio e, por causa disso, passa muito tempo viajando. Com o pequeno spoiler que dei, dá pra imaginar o que a Dona Carolina estava aprontando. Mesmo mostrando-se amiga do casal, com a ausência de Amaro, a proprietária da pensão vai, aos poucos seduzindo Aleixo.

Amaro desobedece várias ordens e foge na intenção de encontrar-se com Aleixo, porém, mesmo depois de todo o sacrifício, Aleixo deixa-o “a ver navios” (kkk desculpem, não resisti).

Mordendo-se de ciúmes, mais uma vez o marinheiro é entregue à bebida e entra numa confusão. O comandante de seu novo navio o castiga severamente pela fuga a ponto de ele ir parar no hospital. Com isso, a tristeza de Amaro só tende a crescer, uma vez que Aleixo não fora visitá-lo uma vez sequer.

Passados uns dias, Amaro recebe a visita de Herculano, um amigo próximo, e este dar-lhe a notícia de que Aleixo está de envolvimento amoroso com uma mulher, o que o deixa ainda mais transtornado.

O final da história nos encaminha para um desfecho bem chocante, porém, um pouco previsível dadas as condições da época.

O que me faz gostar tanto desse livro é o fato de ele ser uma descrição do amor romântico às avessas, já que trata de dois homens, do mesmo tempo de Alencar, algo corajoso para Caminha.

Quando falei de “chocante” me referia ao fato de ter me impressionado bastante na época em que o li pela primeira vez, uma vez que estava muito acostumado com as visões românticas de Alencar e Bernardo Guimarães.


Ponto alto do romance 
A coragem do autor em abordar uma temática tão tabu na época.


Ponto fraco do romance 
Achei uma história curtinha. Bem que poderia ter se estendido mais


O período da escrita, bem como a escola na qual o romance está inserida, contribuiu bastante para a obra mostrar uma realidade nua, sem enfeites ou passagens romantizadas pensando na reação do leitor.

Para quem não leu, é um bom momento de voltar à literatura, dita clássica, nacional e acompanhar essa história tão valiosa da literatura brasileira.




                                                                                                               
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Cartas Marcadas: uma história de amor entre iguais
Autores: Antonio Gil Neto e Edson Gabriel Garcia
Editora: Cortez
Ano: 2007  

Cartas Marcadas: Uma história de amor entre iguais é um livro cheio de poesia e quando digo isso, não estou falando de gênero, mas de sentimentos. A principal discussão do romance é sobre entender os motivos que nos levar a ser como somos.

O livro conta a história de Eduardo que, em quase 100 páginas, vai divagando e contando sua vida, suas histórias, as histórias de sua família, mas sempre voltando-se para uma pergunta: “quem sou eu?”

Eduardo se vê num dúvidas, entre aquilo que querem que ele seja e aquilo que ele quer ser de verdade. O que pensaria a família, o que ele mesmo pensaria se fizesse uma decisão precipitada.

O romance é passado, quase inteiramente dentro de Eduardo que está aprendendo a lidar com sua sexualidade de forma linda e poética.

O que chamou muito minha atenção na publicação foi a forma como os autores Antonio Gil Neto e Edson Gabriel Garcia foram construindo a história de Eduardo. No meio do livro há cartões postais, desenhos, pinturas, passagens de livros, poesias, canções e muito mais.

As transições dos capítulos são marcadas por artes e pensamentos que estão voltados para a história de Eduardo. 
Outro ponto importante na história é o desfecho. Quando terminei o livro, primeiro eu fiquei parado olhando para o nada, com minha cara de tacho. Depois me perguntei se era aquilo mesmo que eu estava pensando. Voltei e reli os dois últimos capítulos e a surpresa ainda estava dentro de mim.


Se você tiver como ler esse livro, esteja preparado para uma enxurrada de emoções, principalmente com as delícias colocadas dentro do livro por seus autores.

Embora tenha uma conotação um tanto “educativa”, a história em si passa longe disso, pois ela é feita para refletirmos, nos encontrarmos e entender como funciona a descoberta de si mesmo.

A quarta capa é um texto de Pedro Bandeira onde ele cita Jean Paul  Sartre resumindo a obra: 

“Não importa o que fizeram de mim, o que importa é o que eu fiz com o que fizeram de mim”.

Um livro lindo que li no ensino médio na escola. Depois comprei e mantenho ele como livro de estimação hehehe. 




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Enquanto preparo a resenha de Garoto Encontra Garoto (David Levithan) decidi fazer logo uma lista dos livros seguintes e tive a ideia de listar os 10 casais gays que mais gostei de ter lido.

Demorou um pouco para fazer essa lista, uma vez que já li muitos e, a grande maioria, me cativou bastante. Difícil escolher os dez melhores, mas vamos ver como a lista ficou.

 
10º - Harry e Craig – Dois Garotos se Beijando (David Levithan)

Os garotos se beijando no título são Harry e Craig, embora outras histórias se desenvolvam simultaneamente. O romance é repleto de histórias de garotos se assumindo, se descobrindo e enfrentando consequências. Mas o casal que protagoniza um beijo por mais de 32 horas foi o que mais me cativou pela resistência e pela vontade de lutar a favor de uma causa.

9º - Clarissa e Sally – As Horas (Michael Cunninghan)


O romance As Horas, de Michael Cunningham foi premiado com um Pulitzer e nos brindou com histórias que se passam em gerações e que são inspiradas nada mais nada menos do que por Virgínia Woolf. Em uma dessas histórias, Clarissa Vaughan tem um relacionamento com Sally. Na adaptação para o cinema, Clarissa foi interpretada por Meryl Streep.


8º - Leónie e Pombinha – O Cortiço (Aluísio Azevedo)

A primeira relação homossexual que você lê em um livro na escola a gente nunca esquece. E foi assim com Leónie e Pombinha, a madrinha que abusa de Pombinha e a incita ao ato sexual com ela mesma por diversas vezes.


 
7º - Marcus e Renato – O Terceiro Travesseiro (Nelson Luiz de Carvalho)

Esperava que Marcus e Renato ocupassem uma posição melhor, mas diante da narrativa, que me decepcionou um pouco, acabei deixando-o aqui mesmo. Curti bastante o romance, mas houve muitas passagens que me deram vontade de abandoná-lo. Acho que usar uma linguagem muito obscena ou cenas altamente descritivas meio desnecessário.  



 
6º - Dorian Gray e Basil Hallward – O Retrato de Dorian Gray (Oscar Wilde)


Apesar de não ser um relacionamento dito “gay” abertamente, até mesmo pelas questões sociais da época, encontrei nesses dois personagens algo que me fez pensar muito: a intimidade que eles pareciam ter, frente aos costumes dos homens do século XIX. Há passagens em que se denota a condição homossexual dos dois personagens, mas ainda há leitores e críticos que insistem em negar que os dois tinham um caso.
  



5º - Amaro e Aleixo – Bom-Crioulo (Adolfo Caminha)

Para muitos, Amaro e Aleixo, protagonistas de Bom-Crioulo é o primeiro casal homossexual da literatura ocidental. Li Bom-Crioulo no ensino médio e na época recordo que o que mexeu muito comigo foi o desfecho da trama. Ainda hoje é um dos livros mais pesados com personagens gays que já li.



4º - Aristóteles e Dante – Aristóteles e Dante descobrem os segredos do universo (Benjamin Alire Sáenz)

O casal protagonista do romance YA é simplesmente cativante. Embora boa parte do livro seja parada, o relacionamento dos dois é construído a base de descobertas  do amor.  O que me deixou babando por esse livro é que a conotação sexual é quase inexistente, pelo menos entre eles.



3º - Damien Maslin e Jack Twist - Série The Houe of Night (P.C. Cast e Kristin Cast)

Talvez por ser um dos primeiros casais gays que li na vida. Damien é um garoto muito inteligente que foi expulso de casa por sua condição sexual, logo depois vira vampiro e vai para a morada da noite, onde conhece Jack. Os dois mantêm um relacionamento estável, chega até adotar a cadela Duquesa (que fora de Stark).  

2º - Enis del Mar e Jack Twist - Brokeback Mountain (Annie Proulx)


Pela forma como o romance dos dois foi levado durante o conto. O jeito rústico de Enis e a maneira debochada de Jack ver a vida causou um equilíbrio perfeito do casal e garantiu uma narrativa muito prazerosa. Não muito meloso, não muito rústico. Perfeito!!




Em primeiríssimo lugar e com grande honra o casal do topo do pódio é brasileiro!!! E



1º - Lucas e Bernardo – 1+1 A Matemática do Amor (Augusto Alvarenga e Vinícius Grossos)

Pelo simples fato de o romance ter como foco principal a relação entre os garotos e a descoberta do amor. O conceito de amor é construído aos poucos, juntamente com o leitor. Há momentos de dúvidas, de torcida, de espera. Claro que há os dramas, as saídas escondidas, os olhares indiscretos e a rejeição pela parte hipócrita da sociedade. Mas o livro é só amor, assim como os autores e seus personagens. 

Essa foi minha listas de casais literários LGBTs. Sugestões deixem nos comentários :) 



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Para quem leu Dois Garotos se Beijando sabe que o romance é repleto de lições que os narradores nos passam sem o tom de moralismo, ás vezes, nem percebemos que ali tem um conselho disfarçado, e dos bons!

(Já fizemos uma resenha de Dos Garotos Se Beijando, para ver basta clicar AQUI)

Então, separamos alguns Quotes do livro para vocês lembrarem (ou conhecerem) um pouco da narrativa de David Levithan. (obs: Quote é o mesmo que citação).

1  "A primeira frase da verdade é sempre a mais difícil. Cada um de nós teve a primeira frase, e a maioria de nós encontrou forças para proferi-la em voz alta para alguém que merecia ouvir". pg. 64

2 "O compartilhamento de  palavras se torna tão importantes quanto as palavras em si. A sensação fica com vocês, prende vocês ao mundo". pg. 67

3 "Se juntarmos armários suficientes, temos o espaço de um quarto. Se juntarmos quartos suficientes, temos o espaço de uma casa. Se juntarmos casas suficientes, temos o espaço de uma aldeia, de uma cidade, do mundo". pg. 72

4 "Esse é o problema de erguer uma barreira entre você e todo mundo: você vê, mas as pessoas não". pg. 75

5 "Se você se livrar de toda a merda idiota e arbitrária com a qual a sociedade controla a gente, vai se sentir mais livre, e, se você se sentir mais livre, vai se sentir mais feliz". pg. 77

6 "É um mundo muito traiçoeiro que  pede constantemente que você comente, mas não liga para o que você têm a dizer". pg. 139

7 "Sabemos como é precisar se segurar. Nós nos seguramos em vocês". pg. 135

8 "Não tem momento melhor do que o presente". pg. 105

9 "É difícil parar de ver seu filho como seu filho e vê-lo como ser humano. É difícil parar de ver seus pais como pais e vê-los como seres humanos. É uma transição bilateral , e pouquíssimas pessoas conseguem fazê-la com tranquilidade". pg. 98

10 "E alguns de nossos pais, quando descobriram que estávamos doentes, pararam de ser dragões e passaram a ser matadores de dragões". pg. 97 

Leia o livro e descubra muito mais do que essa seleção.





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Título:  Simon vs. A Agenda Homo Sapiens
Autor: Becky Albertalli
Tradução: Regiane Winarski
Editora: Intrínseca

Em 2017 voltei a ler Simon Vs. A Agenda Homo Sapiens simplesmente pelo prazer da nostalgia que ele me proporcionou. Calma, vamos por partes.

Quando comprei o livro não quis lê-lo de imediato, pois sabia (alguns leitores já haviam me dito) que era uma leitura rápida e bem divertida. Então deixei para ler em algum momento de espera. 

Estava na sala de espera do Hospital Geral de Fortaleza quando abri as primeiras páginas e comecei a devorar a história de Simon. Basicamente, trata-se da história de um adolescente (gay) que ainda mantêm-se no armário e passa por diversas confusões, muitas dessas, semelhantes as que passei na minha adolescência. Vamos a elas:

O armário: Sim, a família, por mais que seja óbvio ainda mantêm-se distante da temática: sexualidade.

O amor secreto: essa é a parte mais nostálgica, o amor virtual. Acho que boa parte dos adolescentes da década de 2000 acabou por ter um romance virtual e que, ás vezes, quase nos levou a um infarto, pelo medo da descoberta. 

Os amigos: Você tem um segredo e conta apenas para uma amiga e quando os outros descobrem há aquela pequena disputa pela sua confiança. 

O valentão: Muitos adolescentes, principalmente os gays ainda no armário, têm um valentão em suas histórias. Aquele valentão que vai fazer parte da sua vida, que não é mau, nem bonzinho e que, sua história seria totalmente diferente sem ele. 

Junte todas essas características da adolescência de muitos e transforme em um livro. A certeza de que será um bestsseller é iminente.

Simon segue todas essas características, porém, com ele acontece o que muitos temeriam: o valentão descobre  o seu romance virtual e põe em cheque a concretização da realidade para qual Simon fazia questão de fugir.

No meio de indas e vindas, o desenlace pode ser uma surpresa para muitos dos leitores, para mim foi e não falo de uma surpresa boa. Pelo contrário.

Fiquei torcendo o tempo todo para um final, na verdade, até poucas páginas antes do clímax, eu tinha a plena certeza de como seria encerrado o romance, porém, caí de cara na lama. 

Se você está numa fila (como era o meu caso) ou quer ler algo sem pretensões, ou simplesmente quer uma comédia romântica para passar uma tarde, jogue-se na companhia de Simon. 

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1+1 A Matemática do Amor
Autores: Vinícius Grossos e Augusto Alvarenga
Editora: Faro Editorial


Em meio a uma crescente produção literária voltada para o público jovem, mas especificamente o Young Adult, como é chamada no estrangeiro, renasce uma literatura que cativa por deixar de lado a estereotipação de personagens.

Augusto Alvarenga e Vinícius Grossos (respectivamente) começaram a escrever 1+1 A Matemática do Amor por diversão, até que em um determinado momento decidiram presentear seus leitores com a história de Lucas e Bernardo, ou simplesmente, Lunardo, como a dupla é conhecida pelos leitores. 

Quando comprei o livro ainda não tinha lido resenhas sobre, nem mesmo a apresentação feita pela editora na quarta capa. Só o fiz pelo simples fato de  já ter lido O Garoto Quase Atropelado, também de Vinicius Grossos.  

A leitura de 1+1 foi leve e muito prazerosa, tanto que a fiz em menos de 48 horas, o que, aliás, me deixou muito chateado, pois a intimidade com que me apeguei ao Lucas e ao Bernardo me fez perceber um novo caminho da literatura voltada para os jovens. E esse caminho era bom, era prazeroso. Porém, não há livro que dure a vida toda. 

 Logo no começo do livro o leitor percebe que a leitura será guiada pelos dois personagens centrais de forma alternada, o que deixa a narrativa mais dinâmica e, ao mesmo tempo empolgante. 

Lucas e Bernardo sempre foram grandes amigos, como o próprio Lucas descreve:



"Não me lembro muito bem como eu e o Bernardo nos conhecemos. Até onde sei, ele sempre esteve ali, do meu lado. Na escola, sempre estudávamos na mesma sala. Ele me ajudava em matemática, e eu lhe dava uma mão em português. E assim nos completávamos, ajudando um ao outro,apoiando-os mutuamente" (Lucas, p. 09)



De início encontramos apenas bons amigos de infância, mas no decorrer da narrativa o leitor é mergulhado numa onda de sentimentos entre os garotos que faz com que Lucas, bernardo e Leitor não saibam até onde vai essa amizade.

A amizade dos dois parece muito bonita e invejável, até Bernardo receber a notícia de que mudará junto com a família para outro país. Então a amizade dos dois vai tomando uma forma tão linda de amor que encanta qualquer um. 

Lucas quer fazer com que os últimos dias com Bernardo sejam os melhores que eles já viveram e essas são as melhores partes da história. Alvarenga e Grossos nos dão uma versão muito delicada de romances melosos sem todo aquele exagero "mexicano" das emoções ou a exacerbação da temática sexual.

Os autores abordam o amor sem toda aquela apelação de filmes e romances estrangeiros. Eu simplesmente me apaixonei pela narrativa.

Outro ponto que me fez vibrar com a história dos dois foi os momentos "quase" do casal Lunardo. Por vários momentos eu esperava um beijo, ou um olhar sacana ou uma pegada ou algo que costumamos ver nos romances do gênero. Porém, mais uma vez a dupla de autores me surpreende e me deixa na mão de uma forma bem positiva. 

O que posso dizer é que espero muito mais de Vinícius Grossos e Augusto Alvarenga, pois que esses dois têm muito a oferecer, isso já foi mais que provado. 

Será que há alguma remota possibilidade de uma segunda aventura do #Lunardo?


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