Considerada como uma de suas obras mais magníficas, E não
sobrou nenhum me fez gostar ainda mais de Agatha Christie e da
forma como amarra suas histórias. Sempre que leio um de seus romances tenho um
árduo trabalho de ir anotando, sublinhando e tecendo teorias e, pra falar a
verdade, esse foi um dos mais difíceis de fazer isso.
Só vim ler o romance depois de um amigo ter feito muitos
comentários positivos e o fato de eu ter descoberto uma minissérie feita pela
BBC One em 4 capítulos só aguçou ainda mais essa vontade.

Sinopse: E não sobrou nenhum (anteriormente publicado como O caso dos dez
negrinhos) é talvez o maior clássico moderno das histórias de mistério. Dez
pessoas diferentes recebem um mesmo convite para passar um fim de semana na
remota Ilha do Soldado. Na primeira noite, após o jantar, elas ouvem uma voz
acusando cada uma de um crime oculto cometido no passado. Mortes inexplicáveis
e inescapáveis então se sucedem. E a cada convidado eliminado, também
desaparece um dos soldadinhos que enfeitam a mesa de jantar. Quem poderia saber
dos dez crimes distintos? Quem se arvoraria em seu juiz e carrasco? Como
escapar da próxima execução?
10 pessoas estão numa ilha e cada uma é
acusada de um crime. Na mansão há um conjunto de 10 soldadinhos que fazem
alusão a um poema. O que achei mais incrível no livro é a forma como as mortes
vão acontecendo, fazendo referência ao poema infantil já conhecido (no universo
dos personagens).
Eis o poema:
Dez soldadinhos saem
para jantar, a fome os move;
Um deles
se engasgou, e então sobraram nove.
Nove
soldadinhos acordados até tarde, mas nenhum está afoito;
Um deles
dormiu demais, e então sobraram oito.
Oito
soldadinhos vão passear e comprar chiclete;
Um não
quis mais voltar, e então sobraram sete.
Sete
soldadinhos vão rachar lenha, mas eis;
Que um
deles cortou-se ao meio, e então sobraram seis.
Seis
soldadinhos com a colmeia, brincando com afinco;
A abelha
pica um, e então sobraram cinco.
Cinco
soldadinhos vão ao tribunal, ver julgar o fato;
Um ficou
em apuros, e então sobraram quatro.
Quatro
soldadinhos vão ao mar; um não teve vez;
Foi
engolido pelo arenque defumado, e então sobraram três.
Três
soldadinhos passeando no zoo, vendo leões e bois;
O urso
abraçou um, e então sobraram dois.
Dois
soldadinhos brincando ao sol, sem medo algum;
Um deles
se queimou, e então sobrou só um.
Um
soldadinho fica sozinho, só resta um;
Ele se
enforcou, e não sobrou nenhum.
A cada morte ocorrida, menos um suspeito. Até chegar ao
ponto em que não temos mais para onde correr e o culpado tem que ser descoberto
o quanto antes. Agatha Christie encerra um romance e te dá um assassino capaz
de te deixar irado.
A BBC One adaptou o romance em uma minissérie de 04
capítulos e a história da TV foi muito fiel ao livro, o que é raro de se
encontrar hoje em dia. Abaixo deixo a abertura da minissérie feita pelo canal,
que por sinal, é muito bem feita e faz referências ao enredo com os próprios
soldadinhos na vinheta.
Vale muito a pena ler o livro antes da série, pois, por
mais que o programa seja fiel, os detalhes da narrativa vão fazer toda a
diferença no momento em que o leitor se torna o investigador.


