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cosmelanio


"Espero poder contar tudo a você, como nunca pude contar a ninguém e espero que você seja uma grande fonte de conforto e ajuda"
(Anne Frank, 12 de Junho de 1942)


O DIÁRIO DE ANNE FRANK
Otto H. Frank & Mirjam Pressler / 2017

Já conhecia a história de Anne Frank devido à tantas referências ao diário aplicadas em filmes e outros romances. Já havia lido algo parecido com uma cartilha que mostrava um resumo bem rápido do livro, mas foi com o filme Escritores da Liberdade (2007) onde a protagonista trabalha o livro em sala de aula e há uma ação muito linda dentro da narrativa para que os alunos discutissem o livro. Mais tarde, em 2014, com as muitas referências à Anne Frank no filme A Culpa é das Estrelas, aí que me deu mais vontade de ler os relatos de Anne.

Então um amigo comprou e acabei pedindo emprestado. Levei para uma internação no hospital e devorei-o em menos de 3 dias, pausando para fazer algumas reflexões e até mesmo me conter diante de tanta emoção.

A Família Frank vivia pisando em ovos, assim como todos os judeus, durante a Segunda Guerra Mundial, então resolvem se esconder para não acarem indo parar nas mãos dos nazistas. A filha mais nova, Anne, ganha um diário e passa a relatar a realidade da família e amigos que viviam escondidos num prédio, em condições sub-humanas e passando situações que o medo os levavam a cometer.

O relato de Anne Frank vai nos emocionando desde as primeiras páginas por mostrar algo real. Ela não é uma moça heroína cheia de qualidades e que sofre diante de um vilão, ela é uma pessoa, um ser humano, com qualidades e defeitos que, junto coma família, passam a viver o seu maior temor.

Anne fala de sua família, sua irmã, seus pais e os amigos que estavam escondidos com os Franks. Por ser uma adolescente, é normal encontramos comentários positivos e negativos e isso torna tudo mais real. A descoberta da sexualidade, os sonhos jovens, a fé inabalável, as relações humanas perante o holocausto, cada palavra de Anne é um pedido de ajuda, mas também um apelo à humanidade.


Ela pode não ter pensado nisso no momento, mas aquele relato seria o mais importante durante o holocausto faz com que esse livro seja importante para a Literatura, para a História e, principalmente, para a Humanidade.

Um dos momentos mais tristes é saber que, mesmo escondidos, mesmo sofrendo, mesmo passando momentos de terror, a descoberta dos Frank era inevitável e a cada página, a gente pede que não seja isso, mesmo sabendo que o final seria diferente.
Anne Frank é obrigada a amadurecer e, enquanto acompanha sua narrativa, o leitor faz o mesmo.

Uma leitura obrigatória a todos, pois além de falar de um momento histórico real, além de mostrar situações reais, O Diário de Anne Frank é mais que um livro, é um documento, um patrimônio que deve estar ao alcance de todos.

Nota: *****
Editora: Best-Bolso
Observação: A história de Anne Frank já foi adaptada para o cinema e o próprio diário já foi sofrendo várias alterações com as descobertas de novos materiais.




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Sabe aqueles romances Sabrina que vendiam nas bancas e ou por assinatura? Pois é, esse me lembra e muito aqueles das edições históricas, porém, com uma temática mais picante. Nunca tinha lido um romance tão Hot quanto esse (Cinquenta Tons não era LGBT) e, mesmo com alguns furos no enredo e falta de uma arrumadinha aqui e outra ali na história, acabei me apaixonando por ele.


PRÍNCIPE CATIVO: O ESCRAVO

C.S. Pacat | 2017

Imagine dois reinos numa idade clássica tipo Grécia e Roma com Reis, exércitos, prisioneiros, guerras, segredos, tramas políticas e muita luxúria. Até parece descrição de Game of Thrones, mas não é. Os personagens aqui são um pouco rasos, mas as ações vão deixando a história ágil e você fica doido pra saber o próximo passo.


Damen é o legítimo herdeiro do trono de Akielos e foi dado como morto, no entanto, fora vendido como escravo para Vere, o reino inimigo. Enquanto seu meio-irmão assume seu povo, Damen tem que servir a Laurent, príncipe do reino rival. Laurent é rude, egoísta, gosta de mostrar quem manda e vai descontar em Damen todas as suas frustrações. Sob a condição de escravo, ninguém pode saber a verdadeira identidade de Damen antes que ele possa escapar da prisão.

Só que o leitor vai percebendo que os sentimentos de Damen e Laurent vão se transformando aos poucos e, ainda nesse volume, temos um belo presságio da relação dos dois. Ou, pelo menos, é o que a narrativa nos leva a pensar. 

Durante as 295 páginas, na versão física da editora V&R, a história resume-se nas condições de escravo de Damen, seus dramas com Laurent e alguns momentos que nos transportam aos filmes sobre a Grécia antiga.

Há momentos que você quer entender tudo de uma vez, mas aos poucos as ações, as intrigas e aquilo que Damen tem que enfrentar vai se apresentando no decorrer da narrativa.

Gostei da história porque é bem simples, com poucos personagens, com ações rápidas e a autora não teve nenhum pudor para escrever cenas à la Calígula. Na verdade, não quero antecipar as coisas, mas esperaria muito um romance bem pesado e picante entre os dois (o que espero pro segundo volume), ao mesmo tempo em que dá vontade de entrar no livro e surrar o Laurent kkk.

Outro ponto muito bom da edição são os extras que acompanham as histórias. Neste primeiro volume, além de uma apresentação dos personagens, como um glossário explicando quem é quem e em que núcleo (reino) eles fazem parte, também encontramos um mapa dos principais reinos citados na trama. Ao final ainda contamos com um conto de um personagem que chama muito a atenção do leitor (e de Damen também kkkk) e uma prévia do que nos espera no volume II. 

Vi pela internet muitas críticas às capas da Edição brasileira, mas eu simplesmente achei muito lindas, inclusive a do Volume III. (que terão resenhas em breve).

| Nota: ⭐⭐⭐
| Editora: @vreditorabr 
| Observação: Indo pro segundo volume.



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(Cena no filme A Menina que Roubava Livros - 2013)

A LEITURA CONTÉM SPOILERS
Comecei a ler AMQRL e achei um livro um tanto confuso e parado. Com as gracinhas da narradora até dava pra levar, mas depois de um tempo parei. Não era o livro, era eu.


A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS 
Markus Zusak | 2011

Então quando saiu o filme, assisti uma, duas, três e quatro vezes. E nessas quatro vezes eu me emocionei muito. Sabemos que livros são mais detalhados, então recomecei e, hoje, esse livro está entre os meus melhores.

Liesel é uma menina que rouba livros e corações. Como os dos novos pais e do vizinho que lhe tenta roubar um beijo. Mas Hittler é pior, ele rouba vidas, sonhos e almas. Quando decidem ajudar um judeu, Liesel, sua família e Rudy serão testados e o poder que vem dos livros será imprescindível para manter o bom senso e o amor em tempos de caos.

O fim da guerra chega, mas com ele, muitas perdas. Liesel vai ter que aprender a lidar com todas elas com a única forma que lhe tranquiliza. As mortes dos personagens próximos a Liesel me caiu como um baque e aquela que eu achava que me importaria menos, acabou se tornando aquela que eu mais senti. E quando essa cena foi repassada no filme, caraca, fiquei pior ainda. 

Amei demais os personagens Rudy e Rosa. Liesel e Rosa tem uma química muito boa no livro, como opostos isso funcionou melhor ainda na telona. As atrizes do filme souberam representar muito bem. Já com Rudy, fica impossível não se emocionar com o jeito carismático e sonhador do garoto, mais ainda com as tentativas de conquistar a ladrona de livros. Quando sua alma desliza, minhas lágrimas vão junto. 

A cena em que Rosa chora abraçada ao acordeão do marido é tão real no filme, tão próxima de quem tá assistindo que não tem como se emocionar. Um dos raros momentos da mulher com manto de tempestade demostrando seu grande coração. Outro momento da personagem que eu amei foi justamente a sua morte, quando nossa nem-tão-querida narradora  revela que seu maior arrependimento foi o de não ter dividido mais o seu enorme coração.

A descrição de Rosa, as suas falas e atitudes perante Hans e Liesel sempre fazia com que virássemos o nariz e, talvez, nos afastava dela. Mas temos que ver o mundo ambientado na época, os medos de Rosa, a coragem com a qual ela enfrentava a realidade e tudo o que ela fez, mesmo "demonstrando" ser de mau grado. Mas como a narrativa, metaforicamente, apresenta, era apenas um manto de tempestade, por debaixo do manto havia uma mulher, com um coração grande e cheio de sonhos.

Rosa via em Hans não apenas um marido ou um "porco imundo" (kkkkkk), mas um porto seguro no qual ela podia apoiar-se e ao ver que ela o perderia, o leitor percebe que o manto não era tão forte, poderia ser levado pelo vento, pelas batalhas, pela tristeza. Pra mim, ela foi uma das melhores personagens.  No cinema, Emily Watson defendeu bem demais esse papel. 

Algo que foi mantido no filme foi a narração e o fato de ser uma voz masculina deu um ar ainda mais indefinido da morte.
| Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐
| Editora: @intrinseca 
| Observação: o encerramento do filme é lindo demais.
|Hashtags:  #05ULC #thebookthief#ameninaqueroubavalivros#markuszusak #liezelmeminger#hittler




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De acordo com a crítica literária, Agatha Christie é a autora mais publicada de todos os tempos e seus romances, contos e peças, na maioria policiais, continuam sempre batendo recordes. Dois detetives chamam a atenção na obra da conhecida Rainha do Crime, Hercule Poirot e Miss Jane Marple.


“A Mão Misteriosa” traz Miss Marple em um de suas melhores performances e é, apontado pela própria autora, como uma de suas melhores histórias.


No pequeno vilarejo de Lymstock as pessoas estão ocupadas demais cuidando de suas vidas e dos seus vizinhos, mas o ar tranquilo da zona rural é abalado quando cartas misteriosas, falando dos podres dos habitantes, começam a ser endereçadas à população. Então todos se tornam suspeitas, amigo contra amigo, vizinho contra vizinho. Para piorar, um dos alvos das cartas comete suicídio, o que dá a entender que se o remetente misterioso continuar, talvez outras pessoas venham a fazer o mesmo.


Esse remetente só não contava com um coisa: Miss Marple está passando um período em Lymstock e, conversando com as pessoas próximas, lembrando de casos passados e o seu brilhante conhecimento da mente humana, talvez seja a única capaz de pôr fim a esse caos.


Conheço um grande número das obras de Christie, mas mesmo assim, ainda prefiro as histórias de Miss Marple às de Poirot. Talvez pelo fato de ser sempre histórias com poucos personagens, em cidades pequenas e ou vilarejos e, na grande maioria das vezes, por nos levar a refletir sobre o comportamento humano de todos os envolvidos.


Os casos de Miss Marple, para mim, nos apresenta narrativas mais reais, sem muito enfeite na realização do crime ou na solução dos mesmos. A Mão Misteriosa é um dos melhores, pois, apesar da simplicidade da narrativa, o caso em si e o que ele causa na população do vilarejo é algo a ser ressaltado.

| Nota: 🌟🌟🌟🌟🌟
| Editora: @lepmeditores
| Observação: Jerry Burton é um adorável personagem que recebe uma valiosa ajuda.




A MÃO MISTERIOSA 

Agatha Christie / 2010
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Logo no início da trama o narrador alerta o leitor: “É uma história curiosa a que tenho de contar, uma história de difícil absorção...” (p.13) e pelas próximas 269 páginas John Harding tece uma obra gótica contemporânea capaz de tirar o fôlego do leitor de contos clássicos do gênero.

A proeza de Harding conta a história de Florence e seu irmão mais novo Giles. Ambos cresceram numa mansão inglesa sob os “cuidados” de um tio que nunca deu as caras, assim, as únicas pessoas que estavam com eles, diariamente eram os empregados.

Quando a preceptora de Giles morre de forma violenta, surge a Srta. Taylor para substituí-la e com essa chegada, muitos questionamentos começam a passar pela cabeça de Florence. A menina usava a biblioteca escondida pois seu tio a proibira de aprender a ler, ainda assim, era alimentada por tantas vozes da literatura. Mas havia algo errado. Para Florence, as pessoas à sua volta poderiam representar um perigo iminente.

A Sra. Taylor, parecia-lhe, tinha um enorme carinho pelo irmãozinho. Os criados passam a ser vistos com outros olhos. Até o único amigo, Theo, pode representar uma ameaça a ela.  Então chega um momento em que a própria Florence decide que precisa dar um fim em todas essas suspeitas.

Uma história capaz de assaltar as emoções de seus leitores com cada pensamento, ação e descoberta de Florence. Devo admitir que Harding fez um bom trabalho. O título brasileiro acelerou um pouco as inquietações do leitor e parece dar um grande spoiler. O título original é Florence and Giles.

| Nota: 🌟🌟🌟🌟🌟
| Editora: @editoraleya
| Observação: O autor escreveu um segundo volume intitulado "A Menina Que Não Sabia Ler – Volume 2"





A MENINA QUE NÃO SABIA LER 

John Harding | 2010





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Se tem algo que eu gosto nos filmes é quando, sem menos esperar, encontro uma mensagem, uma imagem, uma música e etc. que me surpreenda e que mostre que as pessoas que o fizeram, também têm coração ou estão completamente ligados na produção. Isso dá ao longa, ou ao curta, ou a série, uma alma.

Um exemplo prático desses momentos são dedicatórias, agradecimentos e mensagens para fãs. Abaixo deixo Quatro exemplos que me fizeram refletir, rir e me emocionar diante da “surpresinha” deixada pela produção.    

Primeiro exemplo: Alice através do espelho (2016)
Surpresa: Nos créditos finais do filme a produção apresenta a mensagem “Dedicated to our friend Alan Rickman (1946 – 2016)”, uma linda homenagem para o ator que falecera quatro meses antes do lançamento do filme no qual ele emprestava a voz para o personagem Absolem. Para quem é fã do ator (como eu) foi um momento lindo para entender a importância dele para a sétima arte.



Segundo exemplo: O Bom Dinossauro
Surpresa: Apesar de ser o filme mais fraco em bilheteria, esse foi mais um dos filmes da Pixar que me fez desmanchar em emoções. A história do Arlo gira em torno do valor da família e da amizade. Em uma cena no filme, para explicar para Spot o que é família, Arlo junta uns gravetos no chão (representando sua família) e faz um círculo na terra, em volta deles. Ele acha que Spot não compreendera, mas é surpreendido quando o amigo faz o mesmo em um dos momentos mais lindos da história. Para agradecer a todos os envolvidos a produção inseriu a seguinte mensagem nos seus créditos: “We are grateful to the family and the friends of The Good Dinosaur  Crew. Your love and suport  made this filme possible” que em tradução livre fica “Somos gratos à família e aos amigos da boa equipe de O Bom Dinossauro. Seu amor e apoio tornaram este filme possível”. O mais emocionante é que um círculo de terra acaba por destacar a família e amigos de O Bom Dinossauro. Uma forma excelente de agradecer a todos.



Terceiro exemplo: Harry Potter e o cálice de fogo (2005)
Surpresa: Em 2005, quando Harry Potter e o Cálice de fogo foi lançado, os fãs mais ávidos e que não se permitiam perder nenhum detalhe foram surpreendidos com a mensagem “No dragon were harmed in the making of this movie”, que em tradução livre significa “Nenhum dragão foi prejudicado na realização deste filme”. Uma brincadeira divertida para quem assistiu aos filmes e viu os dragões nas tarefas.  




Quarto Exemplo: Shrek 2 (2004)
Surpresa: Para quem estava se divertindo com as músicas e créditos finais de Shrek 2, não esperava a cena pós-créditos (não comum na época) em que mostrava o Dragão aparecendo em Tão-Tão-Distante e com uma surpresa para o Burro: filhinhos!!! O mais engraçado é que na dublagem brasileira, enquanto os bebês estão abraçando o pai, a fala do burro foi traduzida como “Eu preciso arrumar um emprego! Eu preciso arrumar um emprego!”



Exemplo Bônus: Friends (7ª Temporada)
Surpresa: Para homenagear Courtney Cox pelo seu casamento com David Arquette, todo o elenco ganhou o sobrenome de Arquette na abertura do primeiro episódio da sétima temporada.



E é isso!! Em algumas séries e filmes de hoje são muito mais comuns essas “surpresinhas” para os fãs, isso mostra cuidado e, porque não dizer, respeito para com o público. É uma forma de mostrar carinho e amor pelo trabalho realizado.  



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IMAGEM MERAMENTE ILUSTRATIVA: Protagonistas da Série Reign (Toby Regbo, Adelaide Kane e Torrance Coombs) 

(Contém Spoilers)


Capitu é, talvez, a personagem feminina mais marcante da Literatura nacional Brasileira. Criada por Machado de Assis e co-protagonista do livro Dom Casmurro, paira sobre ela a dúvida mais inquietante da nossa literatura: Capitu traiu ou não Bentinho?

Alguns estudiosos dizem que a dúvida é o que menos importa, mas cá pra nós, sabemos que é essa a característica fundamental que vai fazer com que o leitor fique dias a fio pensando numa provável resposta.

Pensando nessa resposta é que Domício Proença Filho (professor e pesquisador em língua portuguesa e literatura brasileira, membro da ABL) deu voz a esposa do Dr. Bento Santiago e reimaginou o romance alterando a voz narrativa. Dessa vez não é o alcunhado “Dom Casmurro” quem relata os fatos, mas a suposta traidora. Capitu conta a sua versão dos fatos na narrativa de Capitu: memórias póstumas.


No romance original de Machado encontramos Bentinho e Capitu, ainda crianças, se gostando. A medida que crescem os sentimentos vão se desenvolvendo e nasce o filho do casal, Ezequiel, é que as dúvidas sobre a fidelidade da esposa tomam contornos mais diretos dentro da narrativa.

O marido, achando que a esposa o traíra com seu melhor amigo, Escobar, passa a contar como o romance tão doce, no início da narrativa, se transforma em um relacionamento conturbado e cheio de amarguras. É fato que o que lemos é apenas a visão do próprio narrador e aqui, esse aspecto depõe contra Bentinho, pois é o próprio que conta os fatos, e, claro, devemos pensar que conta de acordo com o que lhe convém.

Por ser narrado em primeira pessoa, em momento algum é dada a Capitu a chance de se explicar. Não até 2005.

Quando reimaginou Dom casmurro, Domício Proença Filho decidiu fazer na mesma moldura do romance original, com as mesmas tiradas de humor, divisão de capítulos (sem títulos) e a o diálogo entre narrado e leitor, tão característico da obra machadiana.
Capitu, após sua morte, aprendeu com o “irmão” (creio por ser filho mesmo pai, Machado) Brás Cubas a narrativa além-tumular e começa o romance dizendo a que veio:


"Só agora, decorrido tanto tempo humano, posso, finalmente, contestar as acusações contra mim feitas pelo meu ex-marido, o Dr. Bento Santiago”. 
(PROENÇA FILHO, 2005, p.11)

A narradora mostra ciente de sua fama e agradece aos que não dão crédito às palavras do filho de D. Glória. 

Desde o primeiro capítulo começamos a perceber que a própria Capitu escreve para desmentir as acusações de adultério feita por Bentinho, ou seja, nessa releitura, não houve traição.

De acordo com a narrativa Bentinho sempre fora uma pessoa insegura, rancorosa, orgulhosa e, acima de tudo, dominado pela mãe e familiares. Capitu conta que ele estava sempre ruminando conversas e assuntos passados, debatendo, as vezes, consigo mesmo ideias que lhe vinham a cabeça e que começava a refletir sobre elas como se fossem verdades absolutas.

Foto: @cosmelanio

Um ponto a atentarmos no romance é a presença do próprio Escobar. A maneira como Bentinho o idolatrava, como mantinham “segredinhos” e a forma como parecia que o protagonista de Dom Casmurro gostava mais dele do que da própria Capitu.

Após os eventos que levam Bentinho a duvidar da paternidade de Ezequiel, as mudanças no casamento, a viagem e a morte do filho e dela mesma, Capitu não se sente culpada em nenhum momento. Muitas coisas são colocadas na cabeça do leitor, empurradas por um narrador ciumento e perturbado.

Ao fim, percebemos que o autor usa um recurso muito semelhante ao de Machado ao mostrar que Capitu também sofria, também se perguntava onde estaria o Bentinho de sua juventude. E ela sofria com isso.

Foto: @cosmelanio

Creio que ler Dom Casmurro para tentar entender o lado de Capitu é impossível. “Não é possível afirmar, por meio da investigação das marcas textuais no romance, que Capitu tenha ou não tenha traído Bentinho” afirma Andrea de Barros, Doutora em Teoria e História Literária pela UNICAMP à revista Sperinteressante.

Agora ler Dom Casmurro para entender o lado de Bentinho é possível, mas tendo o cuidado para lembrar que não existe apenas UM lado de cada personagem. Eu posso ler Dom Casmurro e acreditar fielmente nas palavras do narrador, como escolher naquilo que devo crer. Em algum momento ou as informações se contradizem, o que levaria por terra o lado que escolhera para crer, ou se complementam, confirmando a linha de raciocínio do leitor.

Um dos pontos que mais gostei no livro de Domício Proença é a chance, muito bem trabalhada por sinal, de dar a Capitu o direito à voz. Utilizando de recursos e de intertextualidade com a própria obra machadiana.

Não é um livro que vai salvar a personagem, nem fazer você ler Dom Casmurro de outra forma, mas é uma forma de acalmar, ao menos um pouquinho, os corações de quem crê na inocência da menina com olhos de ressaca.

Em uma enquete feita no meu perfil do Instagram (@cosmelanio) a grande maioria dos participantes considera a personagem Capitu inocente das acusações feitas por Bentinho, somando no total de 78 votos, correspondendo a 73% da votação. Os 27% restantes, correspondentes a 29 votos, concordam com o narrador de Dom Casmurro e culpam a co-protagonista pelas ideias e desconfianças do Dr. Bento Santiago. O resultado, na verdade, foi uma surpresa pra mim. Não esperava que a porcentagem que acredita no adultério fosse tão grande.  Apesar dos resultados, ressalto que não há provas, em parte alguma do romance, de que Capitu seja culpada ou inocente, o que predomina é a opinião de Bentinho. Acho que é a partir dessa realidade o por quê o narrador ser tão contestado. Isso me deixa feliz pelo fato de que quem lê o romance, sabe discuti-lo, inclusive para colocar em cheque a verdade de seu próprio narrador.

Curiosidade:

A escritora Lygia Fagundes Telles que chegou a publicar artigo demonstrando a culpa de Capitu, em 2009 declarou ter percebido, afinal, que Capitu era inocente.


REFERÊNCIAS PESQUISADAS

ASSIS, Machado. Dom Casmurro. São Paulo: Editora Ática, 1996.
PROENÇA FILHO, Domício. Capitu: memórias póstumas. Rio de Janeiro: Editora Record, 2005.
ORÁCULO. Capitu traiu ou não traiu Bentinho em Dom Casmurro? In: Revista Superinteressante. Disponível em  https://super.abril.com.br/blog/oraculo/capitu-traiu-ou-nao-traiu-bentinho-em-dom-casmurro-de-machado-de-assis/.





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Atenção: contém muitos spoillers!

Smallville foi a minha primeira série. Claro que na época existiam outras que eu também assistia, mas quando falo primeira, quero dizer que foi aquela a qual assisti do início ao fim. Foi por ela que buscava notícias na internet (que ainda era muito escassa na época) e foi também a primeira (e única) série que comprei quando foi lançada em DVD. Um box com todos os discos contendo todos os episódios, bastidores e especiais.

Smallville é uma série que conta a trajetória de Clark Kent antes de se tornar o Superman, mostrava os seus diversos dramas na cidade de Smallville ou, para nós brasileiros, Pequenópolis.

A série tinha um formato bem diferente da maioria das séries de hoje, pelo menos na grande maioria dos arcos: havia sempre um drama por episódio, um vilão e a descoberta de algo importante para a saga do homem de aço ou de algum personagem próximo a ele. Esse formato está sendo retomado pelas séries do Arrowverso, principalmente pela Supergirl.

O que marcou a série foi a sua abertura onde mostrava os atores principais ao som de “Save-me” de Remy Zero. Até hoje, quem foi da geração dos anos 2000 sabe o que quer dizer o “sambare savemeeeeeeeeeeeeee”.

Esta página é mais um espaço para manter essa série na lembrança, quer dizer, todo nesse blog é para manter algumas coisas na lembrança, mesmo que de forma eletrônica.

Melhor personagem: Chloe Sullivan


Não é desprestigiando o trabalho de Tom Welling e Annette O´Toole (junto com Alisson Mack, considerados os protagonistas da série), mas foi Chloe que carregou a série nas costas. Tanto que quando ela saiu (décima e última temporada), episódios depois ela retornou para uma participação especial. Seu retorno foi tão marcante que ela se tornou, praticamente, o centro dos episódios finais da série.  

Melhor shipper: Clana


Não há casal mais lindo da série do que Clark Kent e Lana Lang. Claro que os dois não ficam juntos por muito tempo, pelo contrário é essa luta para entender o amor dos dois que faz com que esse shipper seja o melhor de Smallville. Nas temporadas 1, 2 e 3 encontramos os dois descobrindo seus sentimentos e lutando para se relacionarem da melhor forma possível. Lana não entende a fuga de Clark, mas o Superboy, levado pelo dilema de ter medo de machucá-la ou colocá-la em perigo por causa de seus poderes, sempre foge dela. A cena em que Lana e Clark se despedem no episódio 14 da oitava temporada é uma das cenas mais sofridas que já assisti. 
Menção honrosa: era no embalo da história dos dois que tivemos as melhores trilhas de Smallville. 


Melhor vilão: Lex Luthor


Uma palavra: perfeito. A melhor interpretação do vilão Lex Luthor veio de Michael Rosenbaum. Eu tinha ódio desse homem, sinal de que o ator é bom.

 Melhor personagem regular: Martha Kent


Martha Kent foi: mãe, amiga, esposa, secretária, doceira, vilã e senadora. Ufa! Para mim, ela é a segunda melhor personagem da série. Sem falar que ela protagoniza uma das melhores cenas na nona temporada (que será apresentada mais adiante).


Melhor personagem de um episódio: Ryan James


Ryan tem o poder de ler mentes e é perseguido por um casal que quer se aproveitar dele. Quando a família Kent decide ajudá-lo, Clark descobre, mesmo que por pouco tempo, o que é ter um irmão. A cena de Clark com Ryan no balão é tão forte que até um homem de aço se derreteria com ela.   


Personagem regular chato: Kara


Não sei se era a personagem ou a atriz (Laura Vandervoort), mas os episódios onde a Kara Zor-El aparecem eram muito chatos. Só não seria a personagem mais chata de toda a série porque o Pete participou das primeiras temporadas (kkkk). 


Episódio mais emocionante: Requiem (8ª Temporada)


Como já mencionado Clark e Lana protagonizaram cenas épicas em Smallville e a cena final do episódio 14 da oitava temporada foi o mais emocionante de toda série. Ali a Lana mostra do que é capaz e a que veio seu retorno.  


Episódio tipo MAS-O-QUÊ??: Hostage (9ª temporada)


Para mim esse episódio foi o maior baque que já levei da série. Comecei achando que seria mais um daqueles chatos de episódios temáticos (fim de ano, natal, halloween, etc.), mas quando veio a descoberta de quem era a Rainha Vermelha, juro, meu coração parou. 


Melhores fotos da abertura: Tom Welling


O que faz dos flashes de Clark na abertura serem os melhores é que eles traziam sempre ele usando seus poderes para ajudar alguém ou um momento muito importante das temporadas anteriores. 

Para concluir, deixo com vocês o vídeo com todas as aberturas de Smallville:




Então é isso, quando tiver com saudades, postarei mais coisas nessa mesma postagem.


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