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cosmelanio

Helen McCrory interpreta Narcisa nos filmes 

Uma personagem que pouco foi citada durante toda a saga e que teve pouquíssimas falas na trama, se tornou, em Harry Potter e as Relíquias da Morte, uma das bruxas mais importantes da saga do bruxo Potter. Estando muitas vezes lutando ao lado do Lord das Trevas, os sentimentos que a dominavam puderam ser compreendidos justamente nos capítulos finais da Guerra Bruxa. Percebemos que ela, mais do que qualquer um dos Bruxos, foi a mais corajosa, eu diria até mais corajosa do que o próprio Harry Potter. Ela foi Comensal da Morte, e fez muito bem esse papel. Não estou dizendo que ela é boa, que tem sentimentos bons, o que quero dizer é que ela seguia mais os seus ideais do que os do Lord das Trevas. Quando era para combater nossos heróis ela não era uma das mais ávidas, percebíamos que não dava tudo de si, como Bellatriz. E quando chegou a hora de decidir entre um e outro, ela escolheu um terceiro: o amor.

O mesmo amor pelo qual Lílian Potter se sacrificara. O amor maior: O amor por um filho.

(O mito de Narciso)


O Nome de Narcisa, talvez tenha sido retirado de um dos mais “Belos” (aqui, leia-se ao pé da letra), mitos da Grécia antiga. Narciso .... que era tão belo, mas tão belo, que além de fazer com que a Ninfa Eco se apaixonasse por ele, o próprio Narciso apaixonou-se por si ao ver-se num reflexo da água. Por isso, quando dizemos que alguém é narcisístico, estamos nos referindo a uma capacidade de exaltar-se em demasia. em uma de suas características, JK Rowling a descreve com a aparência de uma mulher afogada.

“Narcisa baixou o capuz. Era tão pálida que parecia refulgir na escuridão; a cabeleira loura descia pelas costas, dando-lhe a aparência de uma mulher afogada” (JK Rowling, Harry Potter e o Enigma do Príncipe – p.23)

Para quem não conhece o mito de Narciso, o próprio se apaixona por seu reflexo na água e acaba morrendo afogado. Outra parte do mito conta que uma deusa transformou-o em uma flor após sua morte e a principal representante das Flores Narciso é a cor branca, como a própria Narcisa Malfoy.

“Ela despiu a capa, atirou-a para um lado e se sentou, olhando para as mãos brancas e trêmulas que cruzara ao colo.” (JK Rowling, Harry Potter e o Enigma do Príncipe – p.23)


Casada com o mal encarado Lúcio Malfoy, Narcisa construiu uma boa vida embasada na fidelidade ao Lord das Trevas e na preservação do bem estar de sua família. Logo que conheci seu filho (Draco Malfoy) no primeiro volume da saga, pensei que a mãe também apareceria e se mostraria tão esnobe quanto o filho. Não demorou muito para que a raiz do mau caráter de Draco aparecesse, porém, me decepcionei, pois esperava uma maior atuação da Narcisa, mas ao ver as aparições de Lúcio, fui me conformando.

Esse personagem, talvez, não tenha tanta importância... não agora, Pensei.

Foi quando eu não esperava nada dela quando a mesma me surpreendeu nos capítulos iniciais de Harry Potter e o Enigma do Príncipe. Aí volto ao mito de Narciso, pois no 6º livro, podemos ter uma ideia do porque desse nome, então isso é o que eu imagino: O mito de Narciso é baseado na preservação, na admiração, na exaltação de usa imagem. Pelo que sabemos, Narcisa é devotada ao marido e, para os que já leram Harry Potter e as Relíquias da Morte, morreria pelo filho. Encontramos aqui, não uma exaltação de si mesma, e sim uma proteção exagerada para com a família, considerada pela bruxa, um único ser. Narcisa é tão devotada a Lúcio, quanto ao filho, por isso a família divide as mesmas características (personalidade, medo do Lord das Trevas e até os cabelos). Não há uma divisão na família, Lúcio a tem em primeiro lugar, Draco recebe essas características do pai e quanto a Narcisa, é a responsável por manter essa família intacta. Como Narciso se sentia atraído por sua própria imagem, a bruxa se sente na obrigação de proteger o núcleo do qual faz parte.

(Narcisa Malfoy e Belatriz Lestrange)

Tanto é verdade, que a autora colocou uma cena em que Narcisa, de maneira bem (eu diria) sofisticada, desafia a toda poderosa e sedenta de sangue, Belatriz Lestrange, por duas vezes.

A primeira vez, quando esta tenta impedir Narcisa de pedir para que O Príncipe Mestiço ajude Draco em sua missão:
 “ – Me largue, Bela! – bradou Narcisa, puxando uma varinha de dentro da capa e apontando ameaçadoramente para o rosto da outra. Bela apenas sorriu.- Ciça, sua própria irmã? Você não faria..- Não há mais nada que eu não faça – sussurrou Narcisa, com uma nota de histeria na voz, e, quando baixou a varinha como se fosse uma faca, houve mais um lampejo. Bela soltou o braço da irmã como se houvesse recebido uma queimadura.” (JK Rowling, Harry Potter e o Enigma do Príncipe – p.22)

A segunda vez que Narcisa mostra sua personalidade forte, quando para defender a sua família, é ainda contra Bela, sua própria irmã. Dessa vez, Narcisa vê uma ameaça a outro membro de igual importância na sua família, Lúcio:

“- Aquilo não foi minha culpa! – Protestou Belatriz corando. – No passado, o Lorde das trevas me confiou seu mais precioso... se Lúcio não tivesse...- Não se atreva... não se atreva a culpar meu marido! – disse narcisa em tom baixo e letal, erguendo os olhos para a irmã.” (JK Rowling, Harry Potter e o Enigma do Príncipe – p.28-29)
 
Essa é uma das passagens que mais me fascinam, pois a personagem mostra mais uma vez que não se deve mexer com sua família. No texto original a segunda sequência de “se atreva” (aqui em negrito e sublinhado) está mais destacado que o texto normal, ou seja, a autora quis dar veracidade e poder às suas palavras. Outra palavra fez-me arrepiar, o uso do adjetivo “letal”, o que denotava já na entonação da leitura da frase.

Até aqui percebemos que todas as demonstrações de fúria de Narcisa surgem simplesmente para proteger à família, o que mais reforça essa fúria, é o fato de ser contra sua própria irmã. Ou seja, a família que Narcisa construiu, é muito mais valiosa para si, do que a que ela já era inserida, por isso as ameaças à Belatriz. Fico a imaginar se fosse outro membro a ameaçar a segurança dos Malfoy do que ela seria capaz.

Uma dessas ameaças se deu quando o Lord das Trevas ordenou que o jovem Malfoy desse cabo da vida o diretor de Hogwarts, Alvo Dumbledore. Essa ameaça a segurança do jovem Malfoy foi tão forte que Narcisa foi aos extremos e pediu ajuda a Severo Snape, obrigando-o a fazer o voto perpétuo.

(O voto perpétuo)


Voto perpétuo: Faz uma espécie de ligação entre os envolvidos, para que uma determinada promessa seja cumprida. Para realizar esse feitiço precisa-se de um avalista (pessoa que serve de "testemunha" e ao mesmo tempo trata de realizar o feitiço em si), da pessoa que propõe o voto e da que se dispõe para realizá-lo. Uma vez realizado voto, se a pessoa que prometeu cumpri-lo não o fizer, será morta.

Não precisei imaginar tanto para que mais uma ameaça aparecesse. Não. Não foi contra Belatriz, dessa vez a ira de Narcisa ia se superar, pois seria contra uma pessoa alheia aos seus laços de sangue. Se ela era capaz de ameaçar (até ferir) sua própria irmã, imagina contra alguém que, a qualquer momento poderia matar seu marido e que acima de tudo, mandou seu filho numa aventura mais do que arriscada, que lhe colocava a vida em cheque.

Lord Voldemort presenciaria até onde Narcisa Malfoy iria para salvar sua família.

Tudo começa quando Harry Potter e as Relíquias da Morte tem início, pois a Guerra Bruxa está em seu auge e encontramos a família Malfoy acuada, temerosa pelos acontecimentos. O Lord das Trevas não poupa ninguém e mais cedo ou mais tarde, alguém teria de pagar por tudo.

Encontramos uma participação dos Malfoys no Capítulo 23, chamado A MANSÃO DOS MALFOY. Lá temos mais uma prova da grande devoção de Narcisa pela família, em especial pelo filho. Temos como exemplo a cena em que Dobby solta o lustre em cima do grupo de bruxos, entre eles Harry, Rony, Hermione, Narcisa, Draco e Belatriz. Quando o barulho do lustre caindo começa o primeiro pensamento de Narcisa é o filho. Ela não pensou se ia ser esmagada pelo lustre, ou se Harry, Rony e Hermione iam se aproveitar da situação para atacá-los, não. Ela pensou nele, no seu filho.

“Enquanto Narcisa arrastava Draco para longe, tentando poupá-lo de outros ferimentos...” (J.K. Rowling, 2007 – p.368)

Então Narcisa Malfoy faria Lord Voldemort pagar por tudo o que ele já fizera a sua família. Ela se vingaria daquele culpado por ter colocado seu marido e seu filho no meio de tantos perigos. Nunca saberemos se foi REALMENTE essa a intenção da personagem, mas é o que posso imaginar que tenha acontecido, tendo como base as circunstâncias.

Concluo minha humilde opinião, com o desfecho das ações dessa personagem que ousou trair o Lorde das Trevas.

No momento em que Harry se entrega a Voldemort, e que ele retorna da Passagem, onde teve o diálogo com Alvo, acontece a seguinte cena:

“fez-se absoluto silêncio na clareira. Ninguém se aproximou de Harry, mas ele sentiu que os olhares se concentravam nele, pareciam empurrá-lo mais fundo no chão, e apavorou-se que uma pálpebra ou um dedo seus pudessem mexer”. (J. K. Rowling, 2007, p.564)

Perceba que nessa cena, tanto o Lord das Trevas quanto os comensais da morte acham que Harry Potter está morto. Tanto é que Voldemort quer ter certeza e toma uma atitude:

(Cena de Harry Potter e as Relíquias da Morte Pt. 2)

“ – Você [aqui, ele está falando com Narcisa] – Disse Voldemort, e houve um estampido e um gritinho de dor. – Examine-o. Me diga se está morto.”(J. K. Rowling, 2007, p.564)

Perceba aqui, que o “estampido” foi a execução de um feitiço em Narcisa e o “gritinho” foi porque ela não estava esperando por isso.

Então Voldemort, pela segunda vez, cometeu um erro que nunca deveria ter cometido.

A primeira vez foi mexer com uma MÃE que faria de tudo para proteger seu filho. A mãe: Lílian Potter. O filho? Harry Potter.

E a história estava prestes a se repetir, só que dessa vez, essa mãe não fez diferente, essa mãe também não estava disposta a morrer, pois assim deixaria seu filho sozinho nas mãos do Lord.

A mãe? Narcisa Malfoy.

“Harry não sabia quem ele mandara verificar . só lhe restava ficar parado, com o coração batendo forte, traindo-o, e aguardar ser examinado, mas, ao mesmo tempo, registrando, embora isso não fosse grande consolo, que Voldemort suspeitava que tivesse havido uma falha no plano...Mãos mais leves do que imaginara, tocaram em seu rosto, ergueram uma pálpebra, se introduziram sob sua camisa e sentiram seu coração. Ele ouvia a respiração rápida da mulher, seus longos cabelos fizeram cócegas em seu rosto. Harry sabia que ela ouvia a pulsação ritmada da vida contra suas costelas.” J. K. Rowling, 2007, p.564)

Não tenho vergonha de admitir que chorei nessa parte, me arrepiei quando Narcisa pronunciou as seguintes palavras:

“Draco está vivo? Está no castelo?” (J. K. Rowling, 2007, p.564).

E quando Harry confirmou a ela que seu filho estava salvo, ela, agradeceu da melhor maneira possível, dando-lhe a vida:

(Cena de Harry Potter e as Relíquias da Morte Pt. 2)

“Harry sentiu a mão em seu peito se contrair; suas unhas o espetaram. Então ela retirou a mão. Sentara.- Está morto! – Anunciou Narcisa Malfoy para os Comensais da Morte”.(J. K. Rowling, 2007, p.564)

Estávamos lutando há muito tempo. Nossos amigos bruxos cresceram e foram se tornando cada vez mais fortes ao passarem por todas essas batalhas. Com Narcisa não seria diferente. Ao final ela teria que decidir: Obedecer ao Lord das Trevas e pôr sua família em risco, ou pôr a própria vida em risco na tentativa de salvá-los.

Assim como Lílian Potter, ela escolheu o amor pela família.

Quando estava fingindo, Harry Potter compreendeu a ação da Comensal da Morte. Fiquei triste por um lado: a autora devia ter dado mais crédito a ela. Ela mereceu.

“Ainda fingindo-se de morto, ele compreendeu. Narcisa sabia que a única maneira de lhe permitirem entrar em Hogwarts e procurar o filho era participar do exército conquistador. E já não se importava se Voldemort venceria ou não” (J. K. Rowling, 2007, p.564)

Uma das últimas cenas de Narcisa foi, justamente a sua recompensa:

“... e Lúcio e Narcisa Malfoy correndo entre a multidão, sem querer tentar lutar, chamando, aos berros, pelo filho” J. K. Rowling, 2007, p.571)

O que o amor significa para os bruxos? E para os trouxas? Porque nós encontramos bruxos incapazes de amar? O que o amor significa para nós? A luz e as trevas existem no mundo e dentro de cada um. Com Narcisa não foi diferente, mais do que dentro desi, ela vivia entre luz e trevas no mundo físico.

Luz: a família e o amor para que ela vivia.
Trevas: a vida como comensal da morte.

A luta entre luz e sombras vai continuar como sempre, no entanto tudo vai ficar bem enquanto mantivermos a luz em primeiro lugar. Foi exatamente o que Narcisa fez.

Ao final, a pessoa que imaginávamos que fosse chutar a cara de Harry Potter, ou denunciá-lo enquanto ele estava na pior, foi justamente aquela que o salvou.

Então, a personagem que mostrou para Voldemort o verdadeiro sentido do amor, não foi Harry Potter, foi a única, que além de ser Traidora, foi uma Heroína anônima.

 


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