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cosmelanio


(Emma Watson interpreta Hermione nos filmes)

Tinha um tom de voz mandão, os cabelos castanhos muito cheios e os dentes da frente meio grandes. (J.K. Rowling, 2000 – p. 94)

Essa é a primeira descrição de uma das personagens mais importantes da Saga Harry Potter. Hermione Jean Granger se tornaria aliada e melhor amiga do bruxinho que dá nome a série e seria a encarregada de, muitas vezes, livrar as peles de Harry e Rony de muitas encrencas.

Não pretendo tratar de contar aqui um resumo de sua trajetória em Hogwarts, muito menos fazer uma associação de importância para com os outros personagens. Minha intenção é fazer uma análise sobre a bruxinha enquanto grifinoriana. Percebi (e vejo que os fãs mais ávidos dela também) que Hermione estava na Grifinória simplesmente pelo mesmo motivo de Harry Potter. Para os que não lembram, no primeiro ano de Harry em Hogwarts, durante a cerimônia de seleção das casas, ele pediu ao Chapéu Seletor que não o mandasse para a Sonserina e, como o próprio Dumbledore o informou, o Chapéu leva o desejo das pessoas em consideração.

Então encontramos nossa bruxinha na casa que é a “queridinha” de J. K. Rowling. Na Grifinória Hermione fez muitas coisas, coisas excepcionais, porém, muitas dessas características que cabem a ela poderiam levá-la simplesmente à Corvinal. Sim, na minha visão, acho que o Chapéu seletor teria enviado Hermione à Corvinal. Porém, devemos atentar para uma fato muito importante, que muitas pessoas não atentaram: a própria Hermione queria ir para a Grifinória.

“Hermione saiu quase correndo até o banquinho e enfiou o chapéu, ansiosa”.
(J.K. Rowling, 2000 – p. 107)

Então você deve estar se perguntando, como Hermione foi parar na Grifinória se não vimos ela pedindo ao Chapéu Seletor, como fez Harry? A resposta não é muito simples, afinal essa é uma daquelas que segue implícita no texto e deve-se antes conhecer a natureza do Chapéu Seletor.

Originalmente, o chapéu pontudo de bruxo que hoje é o chapéu seletor, pertencia a Godric Gryffindor. Ele foi enfeitiçado pelos quatro bruxos fundadores da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, com um bocado de suas mentes e outro tanto de suas personalidades. Isso ocorreu porque, quando Hogwarts foi fundada, os quatro fundadores determinaram para cada um, uma Casa, que representaria muito da personalidade de cada bruxo fundador. Portanto, cada aluno que chegasse à escola era escolhido de acordo com os fundadores para a casa onde melhor se encaixasse. Acontece, que eles precisavam de criar uma maneira de separar os alunos futuramente, quando não estivessem mais presentes para fazê-lo. A ideia de Gryffindor, foi então enfeitiçar o chapéu. (Wikipédia)

Perceba na evolução dos livros que os dos fundadores das casas de Hogwarts estão ainda presentes , sejam em legados físicos, sejam em ideais. Com o Chapéu Seletor não foi diferente, pois o mesmo tinha que fazer a seleção justa e para isso, precisaria “Ler Mentes”. Se o objetivo era fazer uma seleção de acordo com as características do aluno, era REALMENTE necessário que ele pudesse saber o que se passa na mente dos alunos, como podemos perceber na citação abaixo.
 
Harry apertou as bordas do banquinho e pensou Sonserina, não, Sonserina, Não.
- Sonserina, não, hein? – Disse a vozinha – Tem certeza? Você poderia ser grande, sabe, está tudo aqui, na sua cabeça e a Sonserina lhe ajudaria a alcançar essa grandeza, sem dúvida nenhuma, não? Bem, se você tem certeza, ficará melhor na GRIFINÓRIA!”.
(J.K. Rowling, 2000 – p. 107)

Na verdade, o estudante, ouve, como Harry ouviu, as considerações do chapéu. Ele pode conversar silenciosamente com o estudante. (Wikipédia)

E FOI ASSIM QUE HERMIONE ENTROU NA GRIFINÓRIA! Não porque o Chapéu Seletor quis mandá-la e sim, porque ela quis ir para essa casa. Relembremos uma passagem em que ela encontra Harry e Rony pela primeira vez em um vagão no Expresso de Hogwarts:

“Já sabem em que casa vão ficar? Andei perguntando e espero ficar na Grifinória, me parece a melhor, ouvi dizer que o próprio Dumbledore foi de lá, mas imagino que a Corvinal não seja muito ruim...” (J.K. Rowling, 2000 – p. 95)

Vemos que Hermione já tem uma ideia feita sobre a casa em que deseja ficar e, já a partir daí, ela nos mostra um pouco dessa “grandeza” que ela busca ao dizer que quer entrar na “Melhor” casa. Note que, de uma maneira bem destacada ela chega a cogitar a Corvinal, a que, na minha opinião, seria a verdadeira casa dela.

Porém não é à toa que ela é uma das protagonistas. E uma das características dos três principais da série é a busca do próprio destino de acordo com seus ideais. Aconteceu com Harry o tempo todo, ele deixou de lado o que ele tinha que fazer, o que estava predestinado e fez o que QUERIA FAZER. Com Rony foi o mesmo e um dos exemplos mais claros foi em Harry Potter e as Relíquias da Morte, quando este, após abandonar Harry e Hermione, retorna para o grupo.

Porém, com Hermione essa atitude foi acontecendo aos poucos e, na minha visão, ela ter entrado par a Grifinória foi a primeira fuga da personagem de seu destino. E que destino seria esse? A Corvinal.

Logo no primeiro livro encontramos uma descrição da casa feita pelo próprio Chapéu Seletor que diz:


“Ou será a Velha e sábia Corvinal,
A casa dos que têm a mente sempre alerta,
Onde os homens de grande espírito e saber,
Sempre encontrarão companheiros seus iguais”.
(J.K. Rowling, 2000 – p. 105)

“A casa dos que têm a mente sempre alerta”: Quem tem a mente sempre alerta na Saga Harry Potter? Quem sempre tem um plano? Quem sempre tem uma resposta na ponta da língua? Quem já leu [praticamente] todos os livros da biblioteca? Quem [praticamente] foi a única que leu Hogwarts: Uma história? Devemos concordar que essa característica da Corvinal acompanha Hermione em todos os livros, desde o primeiro, quando o próprio Dumbledore a define na frente de todos no salão:

“– Segundo: à Senhorita Hermione Granger... pelo uso da lógica inabalável diante do fogo, concedo à Grifinória cinquenta pontos.” (J.K. Rowling, 2000 – p. 260)

“Onde os homens de grande espírito e saber, sempre encontrarão, companheiros seus iguais”: Essa citação pode ser comparada a fama que os alunos da Corvinal tem, pois a casa é conhecida como o lar dos alunos mais sábios.

Os membros da Corvinal são inteligentes, perspicazes e gentis, ainda que misteriosos. Possuem uma grande sede de conhecimento e pensam rápido na hora de dizer algo gracioso. Também pode ser percebido algum tipo de sensibilidade peculiar em cada um dos membros dessa casa. A Corvinal também tem fama de ter as meninas e os garotos mais bonitos de toda a Escola, mas talvez isso seja só coincidência ou mito. (Wikipédia)


Hermione Granger, de qualquer forma, escolheu a Grifinória, pois a casa responderia melhor a seus ideais. Mesmo assim, ela tinha a noção, em toda a saga, que se não tivesse ido para a Grifinória, ela teria entrado para a Corvinal, como aconteceu em Harry Potter e a Ordem da Fênix:

No livro 5, durante uma reunião da AD, quando perguntada por um aluno da Casa, Hermione Granger confessa que o chapéu mencionou em manda-lá para a Corvinal (obviamente por causa da sua inteligência incomparável) mas no final concluiu que seu lugar era na Grifinória. (Wikipédia)

– Como é que você não pertence à Corvinal? – perguntou Boot, fixando-a com um olhar próximo ao assombro. – Com uma inteligência dessa?
– Bom, o Chapéu Seletor pensou seriamente em me mandar para Corvinal – contou Hermione, animada –, mas acabou se decidindo pela Grifinória. Então, isso quer dizer que vamos usar os galeões? (JK. Rowling. ODF, 2003)

Hermione, porém, entrou na Grifinória, e parafraseando Olivaras, ela fez “Grandes coisas, coisas incríveis”. Foi na Grifinória que ela encontrou seus melhores amigos, foi na Grifinória que ela desempenhou um papel fundamental na Guerra Bruxa e levou a vitória para o lado do bem. Por mais que tenhamos motivos suficientes para achar que ela deveria ser da Corvinal, encontramos motivos também que fazem com que ela se identifique com a casa do leão.

Hermione Granger é uma intrusa, mas uma Intrusa que veio para ajudar, para modificar e trazer conhecimento e astúcia a uma dupla que não tinha lá grandes dotes de inteligência. Por escolher a Grifinória, Hermione acaba por completar um dos trios mais famosos da literatura infanto-juvenil. Creio que entre Corvinal e Grifinória, ela teria desempenhado grandes funções nessas casas, independentes da escolha do Chapéu seletor. Porém, a Casa da Águia e a Casa do Leão, estarão sempre na Mente e no Coração da bruxa.

Em diversas partes dos livros encontramos características marcantes das casas na atuação da personagem, e isso pode ser comprovado com seus atos:

Em Harry Potter e a Pedra filosofal:

Corvinal:

“- Genial – disse – Isso não é mágica, é lógica, uma charada. A maioria dos grande s bruxos não tem um pingo de lógica, ficariam presos aqui para sempre. (...) Hermione leu o papel diversas vezes. Depois passou em revista a fila de garrafas, para cima e para baixo, resmungando de si, para si e apontando para as garrafas. Finalmente, bateu palmas.” (J.K. Rowling, 2000 – p. 244)

Grifinória:

“ – Eu! Livros! E inteligência! Há coisas mais importantes, amizade e bravura e, ah, Harry, tenha cuidado!” (J.K. Rowling, 2000 – p. 245).

Em Harry Potter e a Câmara Secreta:

Corvinal:

“- Vamos reenvasar mandrágoras hoje. Agora, quem é que sabe me dizer as propriedades da mandrágora?
Ninguém se surpreendeu quando a mão de Hermione foi a primeira a se levantar.
- A mandrágora é um tônico reconstituinte muito forte – disse Hermione, parecendo, como sempre, que engolira o livro-texto. — É usada para trazer de
volta as pessoas que foram transformadas ou foram enfeitiçadas ao seu estado natural.
- Excelente. Dez pontos para a Grifinória — disse a Prof. Sprout.
- A mandrágora é parte essencial da maioria dos antídotos. Mas, é também perigosa. Quem sabe me dizer o porquê?
A mão de Hermione errou por pouco os óculos de Harry quando ela a levantou mais uma vez.
- O grito da mandrágora é fatal para quem o ouve — disse a garota prontamente.
- Exatamente. Mais dez pontos. Agora as mandrágoras que temos aqui ainda são muito novinhas”. (J.K. Rowling, 2000)

Grifinória:
Harry não sabia se a melhor parte fora Mione correndo para ele aos gritos de "Você solucionou o mistério! Você solucionou o mistério!" (J.K. Rowling, 2000 – pdf)

Em Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban:

Corvinal:

“- Chama-se vira-tempo – Sussurrou Hermione -, Ganhei da Professora MCGonagall no primeiro dia depois das férias. Estou suando desde o início do ano passado para assistir a todas as minhas aulas. A professora me fez jurar que não contaria a ninguém. Ela teve que escrever um monte de cartas ao Ministério da Magia para eu poder usar isso. Teve que dizer que eu era uma aluna modelo, e que nunca, nunca mesmo usaria o vira-tempo para nada que não fosse estudar... Eu o tenho usado para voltar no tempo e poder reviver as horas e é assim que assisto a mais de uma aula o mesmo tempo entende? Mas...” (J.K. Rowling, 2000)


Grifinória:

- Prometi que não contaria a ninguém – Disse Hermione com severidade.
(J.K. Rowling, 2000)

Em Harry Potter e o Cálice de fogo:

Corvinal:

“- A coisa se resume no seguinte – disse Hermione esfregando a testa -, ou o Sr. Crouch atacou o Vitor, ou outra pessoa atacou os dois, quando Vítor não estava olhando”. (J.K. Rowling, 2001)

Grifinória:

“- Eu nunca o ajudaria com aquele ovo! – exclamou Hermione com ar de indignação. – Nunca. Como é que você pode dizer uma coisa dessas...” (J.K. Rowling, 2001)



A partir do livro Harry Potter e a Ordem da fênix, as ações de Hermione se tornam cada vez mais intensas, tanto om características da Grifinória (como a criação da AD) como característica marcantes da Corvinal (seu conhecimento, sempre tirando os amigos de uma fria.)

Apliquei os trechos dos 4 primeiros livros, pois é até aí que podemos notar uma atuação mais branda da personagem. Quando Voldemort retorna no final de Harry Potter e o Cálice de Fogo, Hermione vai se tornando muito mais ativa.


Em todos os livros a parcela de contribuição da bruxa para com a Casa Grifinória fez dela o que ela é hoje.
Hermione, ao final do da saga, demonstra uma característica maior da Grifinória, A CORAGEM. A Intrusa (que deveria ser da Corvinal) me mostrou que devemos ser dono do nosso destino e fazer o possível para concretizá-lo. Hermione foi corajosa a tal ponto que lançou um feitiço de esquecimento em seus pais, para que os mesmo esquecessem que tem uma filha, para ela poder ajudar a busca pelas Horcruxes.



Hermione, na Grifinória me ensinou valores que levo comigo até hoje. Não tenho palavras suficiente para descrever a minha admiração por ela, mas uma coisa me atrevo a afirmar: com alma de Corvinal, sua presença na Grifinória foi definitiva para a saga ser perfeita.




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