A Menina que Roubava Livros e o Frágil Manto de Tempestade
(Cena no filme A Menina que Roubava Livros - 2013)
A LEITURA CONTÉM SPOILERS
Comecei a ler AMQRL e achei um livro um tanto confuso e parado. Com as gracinhas da narradora até dava pra levar, mas depois de um tempo parei. Não era o livro, era eu.
A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS
Markus Zusak | 2011
Então quando saiu o filme, assisti uma, duas, três e quatro vezes. E nessas quatro vezes eu me emocionei muito. Sabemos que livros são mais detalhados, então recomecei e, hoje, esse livro está entre os meus melhores.
Liesel é uma menina que rouba livros e corações. Como os dos novos pais e do vizinho que lhe tenta roubar um beijo. Mas Hittler é pior, ele rouba vidas, sonhos e almas. Quando decidem ajudar um judeu, Liesel, sua família e Rudy serão testados e o poder que vem dos livros será imprescindível para manter o bom senso e o amor em tempos de caos.
O fim da guerra chega, mas com ele, muitas perdas. Liesel vai ter que aprender a lidar com todas elas com a única forma que lhe tranquiliza. As mortes dos personagens próximos a Liesel me caiu como um baque e aquela que eu achava que me importaria menos, acabou se tornando aquela que eu mais senti. E quando essa cena foi repassada no filme, caraca, fiquei pior ainda.
Amei demais os personagens Rudy e Rosa. Liesel e Rosa tem uma química muito boa no livro, como opostos isso funcionou melhor ainda na telona. As atrizes do filme souberam representar muito bem. Já com Rudy, fica impossível não se emocionar com o jeito carismático e sonhador do garoto, mais ainda com as tentativas de conquistar a ladrona de livros. Quando sua alma desliza, minhas lágrimas vão junto.
A cena em que Rosa chora abraçada ao acordeão do marido é tão real no filme, tão próxima de quem tá assistindo que não tem como se emocionar. Um dos raros momentos da mulher com manto de tempestade demostrando seu grande coração. Outro momento da personagem que eu amei foi justamente a sua morte, quando nossa nem-tão-querida narradora revela que seu maior arrependimento foi o de não ter dividido mais o seu enorme coração.
A descrição de Rosa, as suas falas e atitudes perante Hans e Liesel sempre fazia com que virássemos o nariz e, talvez, nos afastava dela. Mas temos que ver o mundo ambientado na época, os medos de Rosa, a coragem com a qual ela enfrentava a realidade e tudo o que ela fez, mesmo "demonstrando" ser de mau grado. Mas como a narrativa, metaforicamente, apresenta, era apenas um manto de tempestade, por debaixo do manto havia uma mulher, com um coração grande e cheio de sonhos.
Rosa via em Hans não apenas um marido ou um "porco imundo" (kkkkkk), mas um porto seguro no qual ela podia apoiar-se e ao ver que ela o perderia, o leitor percebe que o manto não era tão forte, poderia ser levado pelo vento, pelas batalhas, pela tristeza. Pra mim, ela foi uma das melhores personagens. No cinema, Emily Watson defendeu bem demais esse papel.
Algo que foi mantido no filme foi a narração e o fato de ser uma voz masculina deu um ar ainda mais indefinido da morte.
| Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐
| Editora: @intrinseca
| Observação: o encerramento do filme é lindo demais.



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